O que dimensionar quer dizer
Dimensionar é responder uma pergunta só: quantos módulos, de qual potência, esse cliente precisa para gerar o que ele consome.
O erro mais comum não está na conta principal. Está nas perdas.
O consumo é o ponto de partida
Pegue as doze últimas contas de luz e tire a média mensal em kWh. Doze, não três: consumo de dezembro e de julho não se parecem, e dimensionar em cima de um mês bom entrega sistema pequeno.
Desconte o custo de disponibilidade, que é o mínimo que a concessionária cobra mesmo quando a geração cobre tudo: 30 kWh para ligação monofásica, 50 para bifásica, 100 para trifásica.
As perdas que a planilha esquece
Entre a irradiação que chega no telhado e o kWh que entra no medidor, some:
- Temperatura — módulo quente gera menos. Em telhado sem ventilação a perda passa de 10%.
- Sujeira — em região de poeira ou perto de estrada de terra, mais 5%.
- Inversor — a conversão de contínua para alternada custa de 2% a 4%.
- Cabeamento e conexões — de 1% a 3%.
- Sombreamento parcial — depende do telhado, e é o único que dá para resolver mudando o arranjo.
Ignorar esse conjunto é o que faz um sistema entregar menos do que a proposta prometeu.
O que muda com a Lei 14.300
Desde 2023 o excedente injetado na rede não é mais compensado integralmente: incide a tarifa de uso do sistema de distribuição, o fio B, com percentual que sobe ano a ano.
Isso muda o cálculo de payback, não o de dimensionamento — mas muda a proposta, porque a economia projetada precisa considerar o escalonamento.
Por que isso vira erro comercial
Sistema subdimensionado gera menos que o prometido, e o cliente liga no mês seguinte. Superdimensionado encarece a proposta e perde para o concorrente.
É por isso que dimensionamento não deveria morar em planilha pessoal de vendedor: a conta é a mesma para a empresa inteira, e a diferença entre uma planilha e outra é justamente onde o prejuízo aparece.