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Dimensionamento

O que é o fio B e como a Lei 14.300 mudou a sua proposta

O que significa fio B na energia solar, qual o percentual cobrado em cada ano e como aplicar o escalonamento na projeção de economia sem prometer o que não acontece.

Equipe Nexol2 min de leitura

A resposta curta

Fio B é a parcela da tarifa que remunera a rede de distribuição — os postes, os cabos e os transformadores que levam energia até o cliente.

Até 2022, quem gerava energia solar e injetava o excedente na rede era compensado integralmente. A Lei 14.300, de janeiro de 2022, mudou isso: o excedente injetado passou a pagar um percentual do fio B, que sobe ano a ano.

Na prática: a economia continua grande, mas é menor do que era — e menor a cada ano até se estabilizar.

O escalonamento

O percentual do fio B cobrado sobre a energia injetada segue esta régua:

Ano Percentual do fio B
2023 15%
2024 30%
2025 45%
2026 60%
2027 75%
2028 90%
A partir de 2029 definido por regulamentação

Quem conectou o sistema até 6 de janeiro de 2023 e protocolou o pedido a tempo ficou no direito adquirido, com regra antiga válida até 2045.

Onde isso entra na proposta

Não muda o dimensionamento. Muda a projeção de economia e o payback.

Uma proposta que calcula economia com compensação integral está projetando um cenário que acabou. O cliente assina achando que economiza X, recebe a conta e economiza menos — e o problema volta como reclamação, pedido de desconto ou avaliação ruim.

O que muda na conta

A energia que o cliente consome no mesmo momento em que gera não paga fio B. Só a que sobra e vai para a rede.

Isso significa que o perfil de consumo importa mais do que antes: cliente comercial que consome durante o dia, quando o sistema gera, é menos afetado do que residência que consome à noite.

É um argumento de venda, não só um detalhe técnico — e vale dizer ao cliente.

Os três erros mais comuns

Projetar economia linear por 25 anos. O percentual muda todo ano até 2028. A projeção precisa de degraus, não de uma reta.

Ignorar o custo de disponibilidade. Além do fio B, a concessionária cobra o mínimo mensal: 30 kWh no monofásico, 50 no bifásico, 100 no trifásico. Esse valor não some com geração nenhuma.

Usar a mesma planilha de 2022. Se a sua projeção não foi revisada desde a lei, ela está errada — e está errada para mais, o que é o pior lado do erro.

Como não errar de novo na próxima mudança

A regulamentação de energia distribuída mudou duas vezes em quatro anos, e vai mudar de novo em 2029.

Quando o escalonamento fica dentro de uma planilha que cada vendedor mantém, a atualização depende de todos lembrarem. Quando ele é regra do sistema, você atualiza num lugar e toda proposta nova já sai certa — inclusive a que o vendedor está montando naquele minuto.